
Hoje em dia posso não querer saber de carnaval, mas não foi sempre assim, eu gostava muito de carnaval e tenhos várias lembranças de vários carnavais que me rendem sem dúvida boas histórias e boas lembranças.
Mas esta que vou contar, me dá muita saudade, principalmente do pai.
Meu pai era um cara linha dura, daqueles que na hora do jornal nacional fazia os 4 filhos ficar quieto e chamava a gente pra casa com apenas um assobio.
Um assobio e um gelinho subia pela garganta, e a gente voltava correndo pra casa.
Nesse ano eu nem era mais tão pequena, devia estar com uns 21 anos mais ou menos, e estava animada com a idéia de curtir o carnaval.
Planejamos a agenda, primeiro concentração na casa da Elis, depois subir pra praça e ver o carnaval de rua, ficar um pouco por lá e depois ir pro clube, o Itatiba Esporte Clube, lá a gente pulava as 4 noites de carnaval, ou dua com sorte...rs
A Banda inesquecível do carnaval Rubro Negro ( as cores do clube) era os Magníficos, e teve um ano que meu irmão o Carlos até tocou com eles.
Sei que o baile de carnaval tava tão que ninguém foi embora mais cedo, ficamos mesmo até o final do baile, lá pela 5 da manhã, o baile acabou, e ainda estávamos todos da turma animados, e pensamos em ir dar um pulo até a padaria Cho-pãozinho, que deveria estar aberta e aproveitarmos pra tomar o café da manhã juntos, pão quentinho com leite me parecia uma ótima pedida antes de ir pra casa, e é claro que eu nem lembrei do Tonhão ( meu pai ) lá em casa.
Fomos e estava ótimo, sei que nessa brincadeira a hora sempre passa mesmo mais depressa quando a a gente está se divertindo, eu acabei por chegar na minha casa as sete da manhã, sendo que eu havia saído as sete da noite do dia anterior.
Quando ia entrar em casa, morta de canseira e só pensando na minha caminha sagrada que me esperava depois da bagunça do carnaval, eis que meu tênis dessamarra.
E eu me abaixei para amarrá-lo em frente a porta da minha casa, quando o meu pai abre a porta com tudo, olha o relógio e diz:
- Você está chegando, ou está saindo??????
E eu mais do que depressa:
- Tô indo buscar pão pra mãe pai!!!!!!!!!!
Amarrei meu tênis, dei meia volta e tive que descer todo o morro de casa novamente até a padaria mais próxima e levar o pão pra casa.
Foi muito engraçado.
Quando entrei em casa minha mãe veio pegar o pão e disse:
- Que sorte heim menina, vai logo tomar um banho e descansar que se seu pai te pega ele não te deixa sair mais de casa.
Fui rapidinho, rindo da traquinagem e até hoje tenis desamarrados e Carnaval me lembram dessa minha saída ao estilo clássico do leão da montanha.













