Pessoas Encantadoras

Historias Para Se Contar Entre Amigos - Participação da Regina, do Blog Devaneios de Uma Vida

Bom dia amigos aqui do Canto!

Hoje quem vem nos contar uma historia linda e emocionante é a primeira amiga e seguidora que conquistei aqui no Blog, a minha querida Regina do Blog Devaneios de Uma Vida.

Ela pede para avisar que o blog dela está fechado por tempo indeterminado, mas que ela continua lendo e acompanhando os amigos blogueiros, e eu estou muito feliz em te-la conosco neste momento




A vovozinha


Foi com imensa tristeza que, numa manhã cinzenta, aquela mãe despedia-se de seu filho, com o coração dilacerado e a alma despedaçada... Lágrimas caiam sem parar e seu filho, na inocência dos seus seis ou sete anos de idade, não conseguia entender os motivos de tamanha tristeza...

A avó, que presenciava a cena, prometia à sua filha que cuidaria do neto com todo o amor e carinho e que ela retornasse à cidade grande, juntamente com o seu marido para que, juntos, pudessem lutar por uma vida melhor.

E assim, aquela vovozinha com seu corpo pequenino e frágil, vivendo naquela humilde casa, no pequeno vilarejo ao sul do Japão, se esforçava ao máximo para que o seu netinho não percebesse a condição miserável em que se encontravam.

Todos os dias, ao levantar-se juntamente com os primeiros raios de sol, preparava com todo esmero e carinho o café da manhã de seu netinho: uma xícara de chá verde.

O chá verde fumegante era servido numa xícara que, apesar de velha e trincada era como se fosse a mais fina das porcelanas e a mesa de madeira, rachada e desgastada pelo tempo, era como se fosse a própria mesa do Imperador, enfeitada com flores que a boa velhinha colhia todos os dias, pela manhã, à beira do riacho.

Era com alegria que acordava seu neto e pedia-lhe que se sentasse à mesa para fazer o seu desjejum:

- Meu querido netinho, o dia hoje está maravilhoso! Sente-se à mesa e sirva-se com este delicioso café da manhã!!

O netinho, percebendo a alegria da avó, sorvia aquele chá com apetite, acreditando, de fato, ser o melhor café da manhã que alguém poderia ter e se contagiava com aquele sorriso que todas as manhãs e todos os dias, a vovó lhe dedicava.

E assim, o dia transcorria... O netinho ia para a escola e a vovozinha buscava no riacho o alimento para o almoço, “pescando” restos de legumes que desciam pelas águas.

Cacarecos de ferro e latas velhas eram amarrados em uma cordinha e a boa velhinha entregava ao seu neto aquele brinquedo, dizendo-lhe que eram carrinhos que ela havia feito para ele. O neto, puxando os carrinhos pela cordinha, brincava animadamente e feliz.

O almoço, na maioria das vezes, se resumia em uma pequena porção de arroz branco e alguns pedaços de legumes em conserva e, como sempre, era servido em grande estilo, com mesa enfeitada e o sorriso da vovó que dizia:

_ Olha só, meu netinho, que refeição farta e deliciosa temos hoje para o almoço!!!

E o neto degustava aquela refeição com gosto e alegria pensando ser, de fato, um banquete Real.

Certo dia, numa festa realizada pela escola, na qual pais e alunos participavam de gincanas e levavam lanche para o pic-nic, o pequeno menino estava triste, pois todos os pais estavam presentes, brincando alegremente com seus filhos e comendo deliciosas guloseimas. Somente seus pais não estavam e o lanche que a avó carinhosamente havia lhe mandado era, como sempre, uma porção de arroz branco e legumes em conserva.

O garoto, admirando aquela cena feliz entre pais e filhos e lamentando a ausência de sua querida mãe e querido pai, retirou-se com os olhos marejados em lágrimas e foi fazer sua refeição em uma sala de aula, onde não havia ninguém.

Um professor, ao passar por acaso pelo corredor, avistou o menino na sala de aula, cabisbaixo, prestes a fazer a sua refeição e, aproximando-se dele, disse:

_ Ei garoto, por que você está sozinho aqui nesta sala e, não lá fora, lanchando junto à sua família?
O menino respondeu-lhe que não morava com seus pais, apenas com sua vovozinha e que, esta, não pudera comparecer e, por isso é que estava tão triste e viera almoçar sozinho na sala.

O professor, comovido, ao ouvir a história do garoto e vendo a comida simples que a avó lhe mandara, de repente teve uma idéia e, aproximando-se dele disse:

_ Hum, sabe... eu não sei por que, mas de repente me deu uma dor de estômago... não tenho apetite... Acho que não vou querer almoçar... Ah, já sei! Vamos trocar nossa comida?

O menino, assustado e surpreso achou que não haveria mal nenhum em aceitar.

E, ao abrir a marmita oferecida pelo professor, seus pequeninos olhos brilharam, maravilhados com aquela comida farta e deliciosa!

_ Professor, é a primeira vez que vejo tanta comida gostosa e tão cheirosa assim!!

E, cheio de apetite, o menino deliciou-se com aquela refeição saborosa que nunca havia provado antes...

O professor, ao presenciar aquela cena, retirou-se devagar da sala, enxugando as lágrimas que já teimavam em embaçar-lhe a visão.

Ao voltar para casa, o netinho, muito entusiasmado, narrou o que acontecera naquele dia à sua querida vovó. A velhinha, ao escutar o menino, percebeu as intenções da atitude daquele professor e, profundamente emocionada agradecia intimamente aquele ato de extrema bondade. Com a voz embargada, dizia ao neto que se sentia feliz por ele ter experimentado coisas tão apetitosas!

Passado algum tempo, novamente a escola promovia mais uma festa e, mais uma vez, o menino sentia-se triste por não ter a companhia dos pais e nem a comida deliciosa que todos traziam e que era saboreada animadamente ao ar livre debaixo das floridas árvores de cerejeira.
Suspirando fundo, abriu a marmita feita carinhosamente pela avó, quando sentiu alguém atrás de si. Era sua professora que, ciente da humilde condição do menino, pousou as mãos na barriga e disse-lhe:

_ Hum, sabe, de repente me deu uma dor no estômago, não tenho apetite... Acho que não vou querer minha comida, vamos trocar nossa marmita?

O garoto, apesar de estranhar aquela atitude que já lhe era familiar, novamente, não achou mal em aceitar.

E, mais uma vez, ao abrir a marmita de sua professora, seus pequeninos olhos se deliciaram com toda aquela fartura e, assim, muito feliz, saboreou com apetite aquela comida.

Chegando em casa, mais uma vez contou à sua querida vovó o fato ocorrido e desconfiado, acrescentou:

_ Vovó, eu não sei, mas achei tão estranho... desta vez foi a professora que sentiu dor no estômago e quis trocar a sua marmita comigo...

A boa velhinha, controlando a emoção, abraçou o seu netinho e, com o seu inconfundível sorriso, disse que seus professores eram pessoas muito especiais.

Somente hoje, após cinquenta anos, aquele menino que tivera o privilégio de ter vivido sua infância ao lado daquela adorável vovó, pôde entender os reais motivos da dor de barriga de seus professores, como também da humilde condição em que viviam, mas que sua avó fazia-o acreditar que não, demonstrando sempre um sorriso no rosto e alegria de viver.

E talvez seja por isto que, aquele menino que aprendeu a sorrir com sua avó, tenha se transformado hoje num dos maiores comediantes do Japão e que, ao relembrar daquele contagiante sorriso, olha para o céu e sente imensa saudade daquela maravilhosa vovozinha que o ensinou a ver somente o lado bom da vida...

* Esta história é verídica, de um ator comediante japonês que eu tive o privilégio de acompanhar na televisão japonesa, na época em que morava no Japão. Tentei reproduzi-la o mais fielmente possível por meio deste texto, pois, todas as vezes que tento contá-la a alguém, fico extremamente emocionada e não consigo chegar ao seu fim!

Quando recebi o convite da querida Cris para o “Conto para se contar entre amigos II”, vi a oportunidade de compartilhar esta história com os seus queridos leitores. E também porque eu não poderia jamais deixar de participar, pela segunda vez, desta grande festa em comemoração ao aniversário da minha doce maninha do coração!
Um beijo à todos os leitores deste maravilhoso Canto e um especial à você, Cris!!

Muito obrigada!!

***

Querida Regina, muito obrigada por esta linda historia tão edificante, confesso que não contive as lágrimas ao lê-la, mas é preciso sempre ver o lado bom da vida, porque ele sempre está lá, mesmo que não possamos vê-lo.

Aproveito para informar que com este texto chega ao fim a série Histórias Para Se Contar Entre Amigos, pois eu não recebi mais nenhum texto.

Muito Obrigada a todos que se fizeram presentes e na semana que vem eu volto com o sorteio entre os amigos que se fizeram presentes nesta série.

Um beijo a todos e um ótimo final de semana!  

13 Encantos:

  1. Uma linda história, comovente.
    Beijos

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  2. Uma história maravilhosa e muito bem contada! O lado bom da vida, existe sempre mas, é preciso imaginação e um coração virtuoso para o encontrar!
    Parabens à autora e um beijo amigo para ti.
    Graça

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  3. Olá, querida Cris
    Vc fechou com chave de ouro a série de contos e cada um deu o melhor de si... Pena que muitos perderam esse encanto de série muito bem bolada!!!
    Mas são muitos os convidados e poucos os escolhidos...
    Vc merece um conto assim tão lindo pra encerrar os festejos...
    Fiquei emocionada, não o conhecia e me serviu pra esclarecer certas coisas que me aparecem de repente com alguns que amo...
    Deus me falou muito nessa noite, amiga. Obrigada.
    Seja muito feliz e abençoada!!!
    Bjs festivos e de paz e ótimo fim de semana pra vc junto aos seus.

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  4. Que lindo este conto e ao mesmo tempo triste. E pensar que tantos passam por isto, mas sem o sorriso que esta avó contemplava a seu neto desejando mostrar que a vida vale a pena ser vivida.
    Parabéns Regina
    Amiga ummmm forte abraço e aplausos pela sua iniciativa de nos presentear e ser presenteada com a participação dos amigos.

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  5. Querida Cris,

    Muito obrigada, de coração por tudo! Fiquei emocionada novamente... muito feliz por poder compartilhar este conto com você e com seus leitores queridos.

    Com este conto aprendi que é o modo como olhamos a vida que faz toda diferença e que o amor verdadeiro, como o dessa vovó pelo seu neto, foi o melhor alimento que ele poderia ter: o alimento da alma, que o fez crescer com alegria, sorrir e fazer as outras pessoas sorrirem...

    Infelizmente não consegui mais administrar meu blog e dar a devida atenção que meus amigos merecem, mas meu coração está e estará sempre perto de vocês...

    Muito grata aos amigos Élys, Graça, "orvalho de céu" e "pensando em família" por terem perdido um pouquinho do seu tempo para ler o meu conto.

    Beijos à todos, um ótimo fim de semana!!

    * Cris, obrigada pela amizade tão verdadeira e desinteressada que vc sempre me ofereceu... Beijo grande!!

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  6. P. S.: Não consegui comentar pelo Explorer, somente pelo Mozilla. Bjs!

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  7. História carregada de valores e afetos.
    Conto muito bem narrado, encantador!
    Parabéns à Cris, pela promoção de contação
    de contos, parabéns à Regina,pela excelência
    do conto e da contação.
    Beijinhos

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  8. Que meigo!! A idade e a maturidade partilhando saberes. Abençoadas avós . Mil bjs

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  9. Uma história muito emocionante. Infelizmente, as vezes bem perto de nós encontramos situações parecidas, a necessidade nos lares. Felizmente há aqueles de coração solidário como no texto e as abençoadas avós. Bjs.

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  10. O Menina Apenas chegou aos 300 seguidores, e você faz parte dele, faz parte da minha história.

    Indiquei um selo, pelos 300 seguidores, nesta página http://meninaapenas.blogspot.com/2011/07/entao-eu-dedico.html
    convido você a ir buscá-lo.

    Obrigada por andar comigoo!
    Beijos meus'
    LillyM.

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  11. Cris, que saudades da Regina, foi ela quem me trouxe pra cá, eu ainda lembro quando éramos nós, bem no comecinho de tudo. Essa semana bateu saudades do apenas um ponto, pensei em voltar com os dois novamente e vir aqui e encontrar vc e a Regina fiquei hiper feliz. Um beijo pra vcs!!

    Obrigada por tudo que já tivemos a oportunidade de dividir.

    Um abraço
    Rafaela

    No blog
    Saudades do Apenas um Ponto
    Trilha Sonora: Malandragem
    http://apenasumpontoesportivo.blogspot.com/

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  12. Minha querida

    Hoje apenas venho deixar um beijinho e dizer que estou melhorando e de volta.

    Sonhadora

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  13. Uma história que me encantou. Desejo esteja
    bem. Desculpa a longa ausência, mas tenho
    uma doença que me impede de estar muito
    tempo no computador e como tenho muitos
    seguidores, demoro a chegar a todos.Mas
    não os esqueço.
    Beijinho
    Irene

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Deixei um oi, uma frase, um verso, uma música, um beijo, que saber que você veio, é tudo o que eu desejo!